Hit pop dançante é bom só naquele rola e esfrega na boate, certo? Talvez. Mas a verdade é que dá pra apreciar música assim em casa – e não necessariamente na companhia de sexo, drogas ou rock’n’roll. A lista a seguir recupera algumas canções que funcionam tanto no dance floor quanto no player do seu quarto.
10. Britney Spears – Toxic
Britney nunca foi o meu forte, mas essa canção que parece ter sido feita para servir de ringtone merece uma lembrança. A batida eletrônica representa bem o espírito de uma década, que significou o ápice de propagação da cultura pop e, por isso mesmo, acabou sendo um pouco tóxica e venenosa para todo mundo.
9. Rihanna (featuring Jay-Z) – Umbrella
Rihanna acabou se tornando outro ícone dessa tendência de padronização da cultura pop global. Umbrella é um pouquinho daqui, outro pouquinho dali... Mas a verdade é que a música grudou feito chiclete, ainda que o refrão “Ella, ella, ay ay ay / Under my umbrella” não seja nada mais do que uma expressão onomatopéica irresistivelmente repetitiva.
8. Katy Perry (featuring Snoop Dogg) – California Gurls
A grande novidade de Katy Perry é fazer escancaradamente o que uma geração de divas anteriores fazia meio que na surdina: declarar que o interesse mesmo delas é fazer sexo, explorar os sentidos erógenos e passear pelas zonas genitais masculinas (e femininas, por que não?) com intensidade e superficialidade quase equivalentes. Finalmente, a moça bem comportada assume que está doida pra ver o “peacock” dos rapazes.
7. Christina Aguilera, Lil' Kim, Mya, Pink – Lady Marmalade
Podem acusar a Christina Aguilera de fracassada e decadente (e ela realmente está), mas em seu auge a loira mostrava que tinha muito mais personalidade que qualquer Britney Spears ou platinadas da vez. Ao lado de outras cantoras de respeito (pelo menos na época), Xtina transformou a música do filme Moulin Rouge numa charmosa homenagem ao glamour de cabaré, sem se esquecer do pop que comanda as pistas.
6. The Pussycat Dolls (featuring Snoop Dogg) – Buttons
Se existiam dúvidas sobre a libertação da mulher na sociedade do século XXI, as Pussycat Dolls acabaram com todas. E não me venham com acusações de que a girl band contribui para a perpetuação da mulher como objeto sexual. Ledo engano, rapazes! Os objetos sexuais somos nós! O sexo feminino definitivamente ocupa a posição de sexo forte e faz piadinha dos antigos titulares...
5. Shakira (featuring Wyclef Jean) – Hips Don’t Lie
Atualmente a cantora latina mais ouvida em todo o mundo, Shakira mostrou que aquela garotinha desajeitada que fazia apresentações em programas de auditório da televisão colombiana (veja AQUI) ficou definitivamente num passado bem distante. Hips Don’t Lie é o ápice de uma artista que finalmente conseguiu equilibrar suas raízes com o melhor da música pop.
Lady Gaga nasceu assim. E Just Dance foi seu batizado. A canção registra todo o positivismo e a empolgação que marcam a obra da cantora, e, principalmente, revela ao mundo sua proposta ousada e absolutamente única. Para todos os problemas sem solução do mundo moderno, a resposta é uma só: “just dance, gonna be okay”. E dançar ao som de Gaga não tem comparação.
Poucas cantoras fizeram uma “repaginação estética” como Nelly. Fatal e poderosa em Say it Right, ela praticamente se tornou o oposto da menina quase desajeitada de I'm Like A Bird. Provavelmente é a performance vocal mais sexy da década. E o arrepio se intensifica quando imaginamos Nelly cantando ao pé do ouvido.
2. Madonna – Hung Up
As canções de Madonna têm o poder de já nascerem clássicas. E é essa a impressão que fica após uma conferida mais cuidadosa em Hung Up. Além de toda a verve oitentista que a transformou no maior ícone pop de todos os tempos, a música também é capaz de atualizar o mito Madonna para as novas gerações. Retrô e contemporânea, dançante e relaxante, como só ela sabe fazer.
1. Lady Gaga – Bad Romance
Não é só a escolha mais óbvia, mas também a mais sensata. Bad Romance comandou as pistas em 2009 e 2010, mas nunca foi apenas “música de boate”. Toda a criatividade e irreverência de Lady Gaga fizeram a canção se tornar onipresente nas rádios, na internet, nos alto-falantes de lojas de departamento... Tornou-se o hino do amor nos tempos atuais – toda a fugacidade dos romances contemporâneos estava registrada em letra, melodia e muita cultura pop. O desespero de Gaga diante de seu “bad romance” foi rapidamente assimilado por todos que já passaram (ou que querem passar) por algo assim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário