domingo, 26 de setembro de 2010

Gato por lebre, Aguilera por Gaga

A lógica é bem fácil e mais ou menos universal. Qualquer filmezinho de Sessão da Tarde feito atualmente é muito mais incrementado e estruturalmente elaborado que os longas do início do século XX. Só que os filmes de Sessão da Tarde não provocam impacto, enquanto que as primeiras incursões cinematográficas, embora mais simples, causavam o espanto total na época de seu lançamento. Com música é a mesma coisa. E, mais especificamente, com os videoclipes, a mesmíssima coisa. Se você estiver em coma desde 1981, acordar de repente hoje, e assistir ao mais novo clipe da Christina Aguilera, vai sofrer um colapso cultural visceral. Em outras palavras, vai cair da cadeira e não acreditar naquilo que está vendo.

Porém, você que vibrou com Bad Romance ano passado, achando incrível a revolução pop promovida por Lady Gaga (que já dividiu a cultura pop do século XXI em A.G e D.G – antes de Gaga e depois de Gaga), vai, certamente, ficar com a impressão de ter sido enganado ao dar uma espiada em Not Myself Tonight. É aquele tipo de coisa que se você abstrair todas as influências culturais que consumiu nos últimos anos, vai até achar um tanto digno. Mas, oi Aguilera? Depois da transformação promovida por Gaga na forma de construir videoclipes, fica difícil aceitar levar gato por lebre.

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